MARIA DA FÉ

 

Maria da Fé está localizada no Sul de Minas Gerais. 

  • É um dos municípios mais frios de Minas Gerais.
  • Está a 1.258 metros de altitude, sendo a 13ª cidade mais alta do Brasil.
  • Sua população é de aproximadamente 15 mil habitantes.
  • Está localizada na Serra da Mantiqueira.
  • É conhecida como a "Cidade das Oliveiras".
  • A produção de azeite ainda é pequena, mas sua qualidade é reconhecida e já foi premiada em feiras realizadas no exterior. 
As duas últimas referências de Maria da Fé foi o que nos motivou a conhecer a cidade.


Quando fomos para Maria da Fé, partimos de Pouso Alegre, também no Sul de Minas, onde passávamos alguns dias, em novembro de 2021, nos dias 14 (domingo) e 15 (feriado - segunda-feira).

Escolhemos estes dias com a intenção de aproveitarmos ao máximo Maria da Fé e viajarmos em seguida para Aparecida/SP, onde assistiríamos a uma missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida na terça-feira cedo, fugindo do feriado que lotaria a cidade. 
Acertamos, pois naquele final de semana prolongado a entrada da cidade foi fechada devido ao grande fluxo de carros (veja a reportagem). 

Voltando à Maria da Fé, a programação foi a seguinte:
  • Visitar a Fazenda Fio de Ouro, que produz o azeite Fio de Ouro; o Lagar e almoçarmos no Restaurante Casa Grappolo, lá mesmo. 
  • Visitar a cidade.
  • Fazer  a Rota do Azeite e um city-tour com a M'guia (Iago e Marlon).

A seguir, descrevo a viagem: dicas, sugestões de passeios, de hospedagem, de restaurantes e comento as decisões erradas.

Começo pela opção equivocada ao escolher a estrada de Pouso Alegre para Maria da Fé. Ao colocar no Google Maps o roteiro Pouso Alegre - Maria da Fé, a rota traçada passa por Itajubá - são 95 km. 
Como nossa intenção era visitar primeiro a Fazenda Fio de Ouro, antes mesmo de passarmos pela pousada para fazer o check-in, resolvi colocar no mapa a rota de Pouso Alegre até o restaurante Casa Grappolo, que fica na fazenda, distante uns 3 km da cidade. Aí veio o problema:  o caminho traçado pelo aplicativo indicava o itinerário pela cidade de Pedralva. Até aí, tudo bem, porém, eu não sabia que este caminho tinha 16 km de terra. Os primeiros 8,10 km foram em uma estrada de terra razoável, fomos devagar, mas era transitável. Já os últimos quilômetros foram em uma estrada bem ruim, mais adequada para carroças, carros de boi e motos. Passamos sem problemas porque nosso carro é mais alto, mas gastamos um tempo enorme e passamos alguns apuros. Então, observe bem a rota traçada pelo aplicativo, pesquise avalições do trecho e evite problemas. 


O Olival, o Lagar e o Restaurante Casa Grappolo estão na mesma propriedade, a Fazenda Fio de Ouro, o mesmo nome do azeite ali produzido. 

Fizemos a reserva para a visita guiada (R$ 30,00 por pessoa, pagos no momento da reserva) e também para o Restaurante, tudo pelo Whatsapp (o número está no site).

Logo que chegamos ficamos impressionados com a estrutura física do lugar.  Tudo muito organizado e construído com esmero arquitetônico e paisagístico. 

A visita começou na hora marcada, 11 horas e durou menos de uma hora. Começamos caminhando por entre as oliveiras, enquanto o guia nos explicava sobre os tipos de oliveiras plantadas na fazenda, as diferentes azeitonas e sobre a colheita e a manutenção do olival. Veja o vídeo.

Em seguida, passamos pelo Lagar, onde fica o maquinário que extrai o azeite das olivas ou azeitonas. Ele é bem grande (se não me engano, o maior da região). A edificação é toda envidraçada, de onde observamos as máquinas enquanto o guia explicava seu funcionamento. Não é permitido entrar no ambiente por questões sanitárias. Não vimos a produção porque ela se inicia em fevereiro e termina em março, época da colheita das azeitonas. Atualmente, na entressafra, a fábrica produz azeite de abacate.

Lagar visto de fora


Interior do Lagar com seu maquinário

Lagar - interior

Oliveiras a perder de vista

Para finalizar, fizemos uma degustação, incluída na visita guiada, do azeite extravirgem Fio de Ouro extraído de azeitonas e também do azeite extraído do abacate. 


No restaurante são vendidos os azeites e outros produtos. O preço dos azeites não é baixo, mas o sabor é realmente diferenciado.


O Restaurante Casa Grappolo é bem bonito, espaçoso e com vista para o olival. A comida é saborosa e tem uma boa carta de vinhos. Os pratos não são baratos, mas complementa bem o roteiro. 
Uma curiosidade: o nome do restaurante "Grappolo" corresponde ao nome de uma espécie de oliveira.




Saímos do restaurante e fomos para a Pousada Maria da Fé, que já estava reservada, para fazermos o check-in.



Maria da Fé é uma cidade pequena e não faz muito tempo que viu no turismo uma forma de se desenvolver, sendo assim, não tem muitas opções de pousadas ainda. Escolhemos a Pousada Maria da Fé, que nos atendeu muito bem.

Está localizada na entrada da cidade, mas a apenas cerca de 2 km do centro.

É uma pousada pequena, em novembro de 2021 tinha quatro quartos. Estão construindo outras seis suítes.

O que gostamos mais foi do local - uma casa avarandada, com um grande espaço verde e variado café da manhã. Tudo é simples, mas limpo, confortável e muito acolhedor. O quarto que ficamos era o menor de todos, era o último disponível, mas não foi problema. O valor da diária é compatível, consulte no site da Pousada ou no Booking.





Passeio pela cidade

O centro da cidade é bem pequeno e é possível percorrê-lo a pé. O ideal é estacionar o carro próximo da Estação de Trem, na Praça José Cláudio Valério e caminhar.


O primeiro ponto a visitar é a própria Estação. Suas atividades tiveram início em 1898. Foi restaurada e está muito bem preservada. Atualmente é um Centro Cultural, que infelizmente estava fechado (talvez por ser domingo). 

Em frente à Estação tem uma locomotiva a vapor, a Baldwin nº 225 de 1918. Destaque também para os canteiros de hortências, bem floridos, e toda arborização ao redor, inclusive um pé de oliveira, o mais antigo da região.


Seguimos por um dos lados da Estação, até as lojas 
(vários chalés, um ao lado do outro) de artesanato, chocolate, mel e outros produtos da região. Muitas estavam fechadas (não sei se por ser domingo, ou se pela pandemia).


Voltamos no sentido da Estação novamente e continuamos pela Avenida (uns 700 metros até a Praça Wenceslau Braz). O caminho que interliga as duas Praças é bem arborizado, uma praça estreita e longa. Tudo bem cuidado e muito bonito. 




Como bons mineiros, antes de seguir para o próximo destino, tomamos um cafezinho acompanhado de bolo de fubá no Café com Prosa, a 150 metros da Praça Wenceslau Braz. É um local simples, mas acolhedor. Tomamos nosso café coado na hora, do jeito que gostamos. O cardápio não tem muitas opções, mas nos atendeu bem. E como o nome do local sugere, tivemos uma boa proza com o dono. 


Destaco ainda no centro da cidade, algumas construções antigas e bem preservadas, como o Grupo Escolar Arlindo Zaroni, ao lado da Praça Wenceslau Braz.



Depois do café fomos conhecer a bonita Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, localizada em frente à Praça de mesmo nome. Ela foi criada em 1908 e tombada pelo Patrimônio Municipal em 1999. Seu estilo arquitetônico é o eclético, destacando o gótico-romano. Dentre toda a beleza de seu interior, destacam-se as pinturas, feitas em 1940 pelos irmãos italianos Ulderico e Pedro Gentilli. 

Em 1950 acorreu nesta igreja um fato inusitado, uma tragédia. O vigário da época, Padre João Batista de Paiva Carvalho, foi assassinado dentro da igreja - confira a história.









Outro ponto de interesse em nossa visita à Maria da Fé era conhecer os ateliês dos artesãos Domingos Tótora, Leonardo Bueno, João Paulo Raimundo e a Cooperativa Gente de Fibra, que trabalham com material reciclado na construção de móveis e objetos de decoração. Infelizmente todos estavam fechados. Ficamos surpresos e frustrados. 

É sempre bom pesquisar antes. Cidades pequenas, embora turísticas, conservam alguns hábitos, como não abrir o comércio aos domingos e feriados. 

Quando estávamos caminhando a procura do Ateliê do Domingos Tótora, passamos em frente à Igreja de Santo Expedito, entramos para conhecer. Pequena e simples, mas que não passou despercebida por nós.



Voltamos para a pousada e mais tarde pedimos uma pizza da Pizzaria Casa Rosada. Ótima pedida. Chegou quentinha uma pizza muito gostosa e com bom preço. A Pizzaria está localizada no centro da cidade, perto da antiga Estação de Trem, atual Centro Cultural.



A maior expectativa estava no dia seguinte, pois contratamos a M'guia para fazermos a Rota do Azeite - M'guia no Tripadvisor

Todos os contatos antes da viagem, para pegar informações e para fazer a reserva do passeio, eu fiz com o Marlon pelo Whatsapp (35) 99743-1879. Ele conhece tudo da cidade e é muito atencioso. O nosso guia foi o Iago, (35) 92000-5824, o mesmo perfil, educado e conhecedor de tudo da região. 

Pontualmente às 9 horas da manhã do dia 15 de novembro, uma segunda-feira, feriado, o Iago foi até a Pousada Maria da Fé, onde estávamos hospedados, para iniciarmos o passeio.

City-Tour e Rota do Azeite

Saímos no nosso carro com o Iago junto. Todos de máscara e vidros abertos. Estacionamos o carro em frente à Estação de Trem. Ali ele contou, dentre muitas informações, um pouco da história da cidade, falou da imigração japonesa e do plantio de cerejeiras, mostrou a oliveira mais antiga da cidade e contou sobre o declínio da cultura da batata e a ascensão do plantio das oliveiras.




Depois dessa aula, a intenção era partir para rota do azeite, porém, comentei que no dia anterior não tinha conseguido visitar os ateliês e ele então nos convidou para passar por eles para ver se estavam abertos.

Passamos primeiro na Cooperativa Gente de Fibra (telefone 35- 3662-2386), onde havia um grupo de voluntários trabalhando. Foi uma visita muito interessante, onde conhecemos todo processo de produção das peças de artesanato, desde a transformação do papelão, que é reciclado ao passar por diversas etapas até gerar o papel machê, até a criação dos objetos de arte. Além do papel machê, utilizam a fibra da bananeira. A Cooperativa foi criada por Domingos Tótora (atualmente ele tem seu próprio ateliê) e cinco mulheres de fibra. O projeto estava inserido em um projeto maior de desenvolvimento do turismo em Maria da Fé - uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o SEBRAE-MG. 
















Seguimos para a Oficina de mais um artesão, o Designer João Paulo Raimundo. Tivemos a oportunidade de ver sua filha executando um projeto de um quadro belíssimo. Vimos ainda algumas obras de arte produzidas por ele. Atualmente, suas peças podem ser vistas em sua galeria em Santo Antônio do Pinhal - SP, onde o próprio João Paulo Raimundo e sua esposa, Rafaela, costumam estar nos finais de semana. Em seu site é possível ter uma ideia da beleza e sofisticação de seu trabalho.








Depois de conhecer duas oficinas de artes seguimos para Rota do Azeite.

Rota do Azeite

O roteiro começa na EPAMIG, depois, a Fazenda Santa Helena e, para finalizar, a Fazenda Maria da Fé, onde almoçamos.

Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG é uma empresa pública de suma importância ao desenvolvimento agropecuário de Minas. Está localizada bem próxima do centro da cidade (1,5 km). 

A EPAMIG em Maria da Fé tem como áreas de pesquisa a fruticultura, a olivicultura e a extração e avaliação da qualidade do azeite. 

Nosso guia, Iago, nos mostrou as plantações, os viveiros, o local de extração do azeite e nos contou do trabalho da EPAMIG.

No site da EPAMIG tem informações sobre os serviços prestados em Maria da Fé, achei interessante e compartilho aqui: 
  • Produção e comercialização de azeite extravirgem.
  • Produção e comercialização de mudas: oliveira, pêssego, ameixa, amora-preta, figo e algumas ornamentais e nativas.
  • Produção e comercialização de frutas: pêssego, figo e atemoia.
  • Visitas técnicas agendadas: olivicultura e fruticultura de clima temperado. 
  • Análise química da qualidade de azeite de oliva e azeitonas.
  • Processamento de azeite extravirgem.











Tivemos uma aula que nos leva a valorizar ainda mais os produtos nacionais. Muita gente não sabe, mas o Brasil concorre em qualidade com azeites produzidos na Itália, Portugal, Espanha, Grécia entre outros países. Temos muitos azeites premiados no exterior. 

De lá, fomos para Fazenda Santa Helena - distante uns 8 km do centro da cidade. O caminho é muito bonito, a estrada de terra contorna a Serra da Mantiqueira, com tonalidades diferentes de verde, com hortências plantadas na beira da estrada, eucaliptos, araucárias e mais uma infinidade de árvore nativas. A fazenda fica a uns 9 km, aproximadamente, do centro da cidade.




Entrando na Fazenda Santa Helena - Magadu Olival,  abri mais o vidro do carro e já me surpreendi com o som de música clássica vindo de longe. Isso mesmo, música para as oliveiras. Pelas caixas de som instaladas no olival, as oliveiras sentem a vibração da música por 12 horas do dia, garantindo ainda maior qualidade às azeitonas, segundo estudos. Tivemos uma sensação muito boa no local.  

A produção da fazenda segue um equilíbrio, com a preservação da mata atlântica, de nascentes, o manejo orgânico e muito amor pela natureza. Gostaríamos que os produtores de diversas culturas procurassem encontrar o equilíbrio que vimos ali. Acreditamos que essa harmonia seja benéfica a todos.

Andamos um pouco pela mata, vimos os lagos, as flores e fechamos com chave de ouro: Iago levou uma garrafa do azeite Monasto, extraído das oliveiras da propriedade, e nos ensinou a degustá-lo adequadamente. Foi uma experiência muito interessante. 

Infelizmente o azeite não estava à venda, toda a produção já tinha sido vendida. Cheguei a conversar com a proprietária, que ficou de me avisar quando a produção de 2022 começar a ser vendida.
















Da Fazenda Santa Helena, retornamos no sentido da cidade por cerca de 2 ou 3 Km e chegamos na Fazenda Maria da Fé, que está a 5 km do centro da cidade. Ela ficou para o final porque há um restaurante no local, onde almoçamos. Funciona somente nos finais de semana e feriados e é necessário agendar.  




A Fazenda Maria da Fé é pioneira na produção de azeites na região. Produzem desde de 2015 e trabalham com 10 variedades de oliveiras. 

Como já tínhamos visitado algumas plantações de oliveira e conhecido um pouco do processo de produção do azeite, aproveitamos apenas para curtir o visual e almoçar. Não sem antes fazer mais uma degustação.





Na entrada do restaurante fomos recepcionados pela proprietária. Logo Iago nos orientou na melhor sequência a seguir na degustação dos azeites: primeiro, um azeite produzido de uma única variedade de oliveira, no caso, a picual; em seguida, um blend (mistura de mais de duas variedades de azeites); depois, os curtidos: alecrim, limão siciliano, alho e pimenta calabresa. Todos deliciosos, mas, particularmente, eu prefiro os azeites puros. 





Para finalizar, o almoço. A comida é muito boa e o preço compatível. Como o restaurante estava cheio, demorou um pouco para sermos servidos; aproveitei para tirar umas fotos. 
O restaurante é rústico e bem diferente do restaurante do dia anterior, Casa Grappolo, mais sofisticado. Se eu tivesse apenas um dia, faria a opção pela Fazenda Maria da Fé. São locais e propostas diferentes, estou registrando apenas a minha preferência. 
Aqui também você pode comprar azeites e outros produtos da fazenda, mas se preferir, pode comprar pelo site.





Deixamos nosso guia na cidade, com a certeza de termos feito uma ótima escolha por um passeio guiado. O valor cobrado foi justo. Não vou registrar aqui, pois depende do número de pessoas, do veículo (se é próprio ou do guia) e do que você quer conhecer. 
No Tripadvisor tem o contato da M'guia, com bons comentários.

Seguimos para fazer o check-out na Pousada Maria da Fé e aproveitamos para visitar rapidamente o ateliê do Designer Leonardo Bueno, que estava aberto e fica ao lado da Pousada (no trevo de entrada da cidade). 

O que vimos exposto foram móveis bem modernos e esculturas em diversos materiais, entre eles, madeira e ferro. Leonardo Bueno está construindo um novo espaço, conhecido como Casa nas Nuvens, próximo do Restaurante Casa Grappolo.





A
nalisando nosso planejamento: deixamos de conhecer apenas o ateliê do Designer Domingos Tótora, que era o que eu tinha mais curiosidade para conhecer, porque estava em reforma. Contentei-me parcialmente vendo seus belos trabalhos em seu site, onde ele mostra o processo de fabricação do papel machê, uma das principais matérias primas usada por ele.

Ficamos em Maria da Fé pouco mais de 24 horas (chegamos às 11 horas de um dia e saímos às 15 horas do dia seguinte) e conhecemos bastante coisa. Com mais tempo, poderíamos ter feito algumas trilhas a pé pela Serra da Mantiqueira (tem também opção de bike). Outra boa pedida é ir na época de frio, para curtir o clima gelado da Serra da Mantiqueira.

Por volta de 15 horas deixamos Maria da Fé a caminho de Aparecida. Confira a postagem de Aparecida, um pouco mais antiga, se não conhece, vai se surpreender.