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Lisboa - fevereiro de 2020 - final da viagem - 4ºdia

 Passamos por Lisboa no início e no final de nossa viagem. Chegamos no dia 30 de janeiro de 2020 bem cedo e fizemos um roteiro mais curto. No dia 31 fizemos mais alguns passeios e no dia seguinte pegamos a estrada para visitarmos algumas cidades de Portugal.

Retornamos a Lisboa no dia 14 de fevereiro à tardinha, e passeamos por lá até o dia 17. No dia 18 pela manhã, retornamos a Brasília.

Dia 17 de fevereiro

Segunda-feira, último dia desta viagem à Portugal. O objetivo era conhecer atrações que não conhecíamos ainda (Panorâmico Monsanto, LxFactory, Pilar 7, Aqueduto, entre outros) e também visitar outros locais pelos quais já havíamos passado na porta diversas vezes em outras viagens, mas que só agora tivemos a oportunidade de conhecer em detalhes.
  • Teatro Dona Maria II - visita guiada
  • Estação Ferroviária do Rossio
  • Sé de Lisboa: Tesouros da Sé  e Coro Alto
  • Igreja Nossa Senhora da Vitória
  • Chiado
  • Rua da Bica
  • Miradouro de Santa Catarina
  • Igreja de Santa Catarina
  • Largo do Carmo e Museu do Carmo
  • Praça do Comércio
Saímos do nosso hotel direto para a Praça do Rossio para visitar o Teatro Dona Maria II, por dentro.


O teatro Nacional Dona Maria II foi inaugurado em 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27º aniversário da Rainha Maria II (1819-1853). Em estilo neoclássico, a obra é do Arquiteto Italiano Fortunato LodiApós sofrer um incêndio de grandes proporções em 1964, o edifício foi totalmente reconstruído e reinaugurado em 1978. 

O Teatro está localizado em uma praça bem central e movimentada, a Praça Dom Pedro IV (Dom Pedro I no Brasil), mais conhecida como Praça do Rossio. Difícil não notar sua presença, porém, poucas pessoas sabem que há visita guiada a seu interior. 
Nós sabíamos e desta vez não deixamos passar a oportunidade de conhecê-lo por dentro. Uma beleza!

A visita guiada é realizada apenas às segundas-feiras e em um único horário, 11 horas, e para apenas 10 pessoas, então, é bom passar na bilheteria um pouco antes para garantir o ingresso ou comprar online

O tour leva em torno de  uma hora e pode ser em idiomas diversos (português, inglês, francês, espanhol, italiano e alemão), depende da língua predominante no grupo, mas mesmo que não seja a sua, a guia não o deixará sem informações e fará um resumo em seu idioma.


Conhecer a história desse teatro de mais de 170 anos é bastante interessante. Além de contemplar sua arquitetura e decoração, é possível conhecer todos os espaços: camarins, corredores e passagens secretas, atelier de costura onde são produzidos os figurinos, sala onde os figurinos são guardados, cantina, iluminação, e controle de cortinas, coxia, e o principal, o teatro propriamente dito, composto pelo palco, área da plateia e balcões. 

Enquanto espera o início da visita ou depois, na saída, pode-se conhecer a  livraria, com itens relacionados ao teatro, a biblioteca  ou fazer um lanche no Café Garret.


A Estação Ferroviária do Rossio ou Estação Central de Lisboa, originalmente conhecida como Gare do Rocio, é uma interface da Linha de Sintra, sendo uma das principais estações de Lisboa. Foi inaugurada em 1890.

Estação Ferroviária do Rossio

Mais um edifício de bastante destaque na Praça do Rossio. Já havíamos observado, mas não sabíamos o que era e nem conhecíamos por dentro. 

Estação Ferroviária do Rossio

Sé de Lisboa

A igreja teve sua construção na segunda metade do século XII, após a conquista da cidade, por Dom Afonso Henriques sobre os Mouros. É a igreja mais antiga de Lisboa. 

Sé de Lisboa

Mais uma vez fomos até a Sé de Lisboa, também chamada de Igreja de Santa Maria Maior, desta vez para visitar a área que é paga:  Tesouro da Sé, Coro Alto, Sala do Capítulo, as Capelas e o Claustro onde estão as Ruínas Arqueológicas. No dia anterior nós estivemos lá também, porém, esta parte não é aberta ao público aos domingos, e tivemos que voltar. Informações da visita.

Do Coro Alto tem-se uma vista privilegiada do interior da catedral. Dali é possível admirar a grande e bela rosácea.

Igreja vista do Coro Alto


Rosácea da Sé de Lisboa

Na parede das escadas de acesso ao Coro Alto, é possível contemplar a famosa cruz de Santo AntônioDiz a lenda que, quando ele era  criança e estudava na escola desta catedral, foi tentado pelo demónio neste local e o repeliu desenhando o sinal da cruz que ficou gravado na parede. Este terá sido o primeiro dos muitos milagres que Deus realizou por intermédio do Santo nascido em Lisboa em 1190. Foi também na Sé que Santo Antônio foi batizado. 

Os Tesouros da Sé estão distribuídos em quatro salas com uma variada coleção de pratas, trajes eclesiásticos, esculturas, pinturas, manuscritos e relíquias associadas a São Vicente.

Uma das áreas que queríamos visitar era o Claustro, mas estava fechado para manutenção. Lá estão ruínas arqueológicas das épocas romana, islâmica e medieval. As escavações começaram em 1990 e estão bem preservadas.

Saímos da Sé para o Bairro do Chiado, no caminho conhecemos mais uma Igreja.


Está localizada na Região Baixa-Chiado. 

No ano de 1530 foi constituída a Irmandade dos Caldeireiros, tendo como sua padroeira a Nossa Senhora da Vitória, que era venerada na Capela do Hospital de Nossa Senhora das Virtudes. Em 1556 a Irmandade edificou ermida própria, contígua ao hospital, dele se  desvinculando. 

A partir de 1663, a Irmandade passou a designar-se por Real Irmandade de Nossa Senhora da Vitória, quando, durante as Guerras da Restauração, o Rei D. Afonso VI atribuiu à Nossa Senhora da Vitória o sucesso na Batalha do Ameixial

Destruídos pelo terremoto de 1755, o hospital e a igreja foram reedificados um pouco ao sul da primeira edificação. As obras de reedificação estenderam-se de 1765 a 1824. Em 1940 passou por nova restauração, porém, em 1975, um incêndio a desfigurou consideravelmente.

Igreja de Nossa Senhora da Vitória

Saindo da Igreja continuamos em direção à Praça Luis de Camões. Pegamos a Rua Garrett e passamos pela Livraria Bertrand, pelas Igrejas de Nossa Senhora do Loreto, Igreja da Nossa Senhora da Encarnação e pela Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, pelo Café a Brasileira (onde tem uma Estátua de Fernando Pessoa), e chegamos à Praça Luís de Camões. É uma região bastante turística, que já visitamos mais de uma vez e que já descrevemos em postagens de outras viagens.

Praça Luís de Camões

Nosso próximo destino foi o Miradouro de Santa Catarina. Foi só atravessar a Praça e seguir mais um pouco à frente. No caminho ainda admiramos o Elevador da Bica ou Ascensor da Bica. Trata-se de um funicular localizado na Rua da Bica de Duarte Belo, que liga a Rua de São Paulo e o Largo do Calhariz, uma das encostas mais íngremes da cidade. Foi inaugurado 1892.


Popularmente é conhecido como Miradouro do Adamastor. Está situado numa das colinas da cidade antiga com uma bonita vista sobre o Rio Tejo. 



Em 1877, um português que enriquecera no Brasil 
quis construir um grande prédio neste local, mas a Câmara não autorizou e construiu o jardim público atual.  

No local há uma esplanada e o Jardim do Alto de Santa Catarina, uma pequena área verde que envolve uma escultura inaugurada em 1927, dedicada à figura lendária marítima do Adamastordescrita nos Lusíadas, sobre um bloco de pedras sobrepostas, uma obra do escultor Júlio Vaz Júnior, em mármore azul.

Escultura de pedra Adamastor
Antes do Miradouro tem o Museu da Farmácia e o Restaurante Pharmacia Felicidade que é bem movimentado - vai ficar para a próxima vez.

Restaurante Pharmácia e Museu da Farmácia


Também conhecida como Igreja das Paulistas, pois a Ordem Eremita de São Paulo esteve presente aqui no século XIX. Está localizada próxima do Miradouro de Santa Catarina (cerca de 250 metros). Foi mandada construir por Catarina de Áustria, no século XVI. Foi destruída no terremoto de 1755 e edificada novamente em 1757, porém, em 1835 sofreu um grande incêndio, quando a igreja do Convento passa a ser a Igreja de Santa Catarina.

Igreja de Santa Catarina

Igreja de Santa Catarina

O destino seguinte foi o Largo do Carmo. Voltamos até a Praça Luís de Camões e em seguida chegamos ao Largo. Por aqui também passamos muitas vezes, mas não conhecíamos ainda o Convento do Carmo - Museu Arqueológico.


É um antigo Convento da Ordem das Carmelitas. O conjunto já foi a principal igreja gótica de Lisboa. Por sua grandeza, concorria com a própria Sé de Lisboa. Ficou em ruínas devido ao terremoto de 1755, mostrando ainda hoje, o que foi aquela catástrofe. Atualmente está ali instalado o Museu Arqueológico do Carmo. A entrada é paga e o museu fecha aos domingos. Reserve em torno de uma hora para visita.


Depois de conhecer o Museu fomos, mais uma vez, contemplar a vista do Miradouro do Elevador Santa Justa, que está bem ao lado.

Vista do Miradouro do Elevador Santa Justa

Não descemos pelo elevador e sim por uma escada lateral em direção à Praça do Comércio. Desta vez foi para nos despedir desta viagem fantástica a Portugal. 

Praça do Comércio

Fomos ainda contemplados por um bonito pôr do sol no Cais das Colunas, em frente à Praça.

Pôr do sol no Cais das Colunas na Praça do Comércio

No dia seguinte de manhã embarcamos para Brasília de volta para casa. Um fato marcante, não muito bom, foi que a pandemia do Covid-19 estava começando na Europa, principalmente na Itália.













Lisboa - fevereiro de 2020 - final da viagem - 3º dia

 Passamos por Lisboa no início e no final de nossa viagem. Chegamos no dia 30 de janeiro de 2020 bem cedo e fizemos um roteiro mais curto. No dia 31 fizemos mais alguns passeios e no dia seguinte pegamos a estrada para visitarmos algumas cidades de Portugal.

Retornamos a Lisboa no dia 14 de fevereiro à tardinha, e passeamos por lá até o dia 17. No dia 18 pela manhã, retornamos a Brasília.


Dia 16 de fevereiro

Um domingo um pouco nublado. Foi um dos dias com mais atividades, fiquei até cansado agora para fazer este post. A maior parte dos passeios eram inéditos para nós e alguns nem tão turísticos, mas consideramos todos excelentes.

Começamos com um roteiro a pé, de pouco mais de 2 km no total. A outra parte foi de carro (aplicativo de transporte). Para começar pegamos um app de transporte no hotel Hollyday Inn Express, onde nos hospedamos, e fomos para o nossa primeira atração - Sé.
  • Sé 
  • Miradouro Santa Luzia 
  • Porta do Sol e Museu de Artes Decorativas Portuguesas 
  • Largo, Miradouro e Igreja da Graça 
Voltando, passamos pelos seguintes locais:
  • Igreja de Santo Antônio e
  • Miradouro do Arco da Augusta na Praça do Comércio 
Para finalizar a caminhada, comemos um pastel de bacalhau na Rua Augusta, na charmosa Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau.


Já conhecíamos a Sé, porém, faltava conhecer o Claustro e o Tesouro da Sé. Como sempre comento, "é bom ler as informações de cada atração antes da visita", mas casa de ferreiro espeto de pau, não li - o Tesouro e Claustro fecham aos domingos. O pior é que no post que publiquei em 2018 eu já trazia esta informação. Vai ficar para uma próxima viagem. Aproveitamos e admiramos mais uma vez a bela igreja.

Tem uma bonita vista sobre Alfama e o Rio Tejo. É possível avistar a cúpula da Igreja de Santa Engrácia (Panteão), a Igreja de Santo Estêvão e as duas torres brancas da Igreja de São Miguel - falta conhecer essas duas últimas.

Além da vista, destacam-se dois painéis de azulejos, um da Praça do Comércio de antes do terremoto e outro com os cristãos atacando o Castelo de São Jorge; um espelho d'água e um pequeno chafariz.

A Igreja de Santa Luzia e São Brás está inserida no Miradouro, mas estava fechada.

É comum ter músicos se apresentando no local, o que torna o passeio mais agradável ainda.



Um pouco à frente do Miradouro de Santa Luzia, mais um miradouro com uma bela vista da cidade, o Portas do Sol, também conhecido como Varanda do Tejo. Para quem não gosta de andar a pé, o elétrico 28 passa na porta.

A origem de seu nome vem da antiga Porta do Sol que integrava a cerca moura de Lisboa, destruída no terremoto de 1755.

Do Miradouro das Portas do Sol é possível avistar a Igreja de São Vicente de Fora, o Bairro de Alfama e o Rio Tejo. Além da vista, destacam-se no local uma estátua de São Vicente feita de pedra em 1949, do escultor Raul Xavier; e um bonito edifício,  o Palácio Azurara.

Largo Porta do Sol

Está instalado no Palácio Azurara, em frente ao Largo Portas do Sol. O edifício tinha chamado nossa atenção pelo tamanho e pela cor, mas não imaginamos que fosse um museu. Ficamos na dúvida se o visitaríamos ou não. Surpreendeu-nos bastante, muito rico. 
Recria o ambiente aristocrático do século XVIII, com uma das coleções mais representativas do panorama das Artes Aplicadas em Portugal. A coleção foi reunida ao longo de vários anos por Ricardo do Espírito Santo Silva e doada ao Estado em 1953.



Largo da Graça
Da Porta do Sol, seguimos por mais 500 metros até o Largo da Graça. Uma região especial com Miradouro, Jardim. Igreja e Convento.

A Ordem dos Agostinianos Eremitas, hoje conhecida como  Ordem de Santo Agostinho, fundou o Convento em 1271. Com o terremoto de 1755 tudo ficou em ruínas. Após todas as intervenções, a arquitetura religiosa ficou com características maneirista, barroca e rococó. Em 1910 o conjunto foi classificado como Monumento Nacional.

No interior merecem destaque: os azulejos dos séculos XVI, XVII e XVIII; o trabalho em talha dourada dos altares em estilo rococó 
e as esculturas setecentistas das capelas; a decoração barroca da sacristia, o grande painel das Relíquias e o túmulo de D. Mendo de Fóios Pereira.

Em frente à igreja encontra-se o Miradouro da Graça, atualmente Miradouro  Sophia de Mello Breyner Andresen, em homenagem à poetisa portuguesa. De lá é possível avistar parte da cidade, o Castelo de São Jorge e o Rio Tejo.

Assista o vídeo abaixo para conhecer um pouco mais.


Nosso próximo destino foi o Miradouro do Arco da Augusta, em frente à Praça do Comércio. No caminho, passamos pela Igreja de Santo Antônio, que já conhecíamos.

No reinado de D. Manoel I, no século XV, foi consagrada uma capela, onde antes morava a família de Santo Antônio e onde ele nasceu.

A cripta, com entrada pela sacristia, é tudo o que restou da igreja original, que foi destruída pelo terremoto de 1755. A nova igreja, em estilo tardo-barroco e pombalino, ficou pronta em 1787.

Ao lado da Igreja tem um Museu em homenagem ao Santo.

Igreja de Santo Antônio

Igreja de Santo Antônio

Já perdi a conta de quantas vezes passamos pelo Arco da Augusta (post mais antigo do Arco), mas esta foi a primeira vez que subimos até o Miradouro. A subida é paga, valeu cada centavo.

O Arco ficou totalmente pronto em 1873. Em  9 de agosto de 2013 foi inaugurado um elevador e dois lances de escadas íngremes para permitir o acesso ao miradouro no topo do Arco. 


Saindo do Arco escolhemos comer alguma coisa bem rápido para continuar o passeio. Bem perto de onde estávamos, na própria Rua Augusta, optamos pelo pastel de bacalhau (para nós, bolinho) na Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau.

Pastel de Bacalhau recheado de queijo da Serra da Estrela

Abastecidos com a iguaria, passamos para segunda parte do passeio, agora de carro (app de transporte).
  • Aqueduto das Águas Livres
  • Panorâmico do Monsanto
  • Experiência Pilar 7 - Ponte 25 de Abril
  • Restaurante Bellalisa Valmor

Seguindo a Avenida da Ponte 25 de Abril - Eixo Norte-Sul, sob o Vale de Alcântara, estão os arcos desta grande obra da engenharia, responsável por captar, transportar e distribuir água para a cidade, sem a utilização de bombas - apenas pela gravidade. 

O trecho principal do aqueduto tem 14 km de extensão e 127 arcos, com início na nascente das Águas Livres, em Belas, Sintra. 

Foi construído no reinado de D. João V e esteve ativo desde sua inauguração em 1748 até 1967. Feito em pedra, ele resistiu ao grande terremoto de 1755.

Visitar internamente a área superior da obra, onde estão os arcos, sob o qual passamos muitas vezes de carro, foi muito interessante. A visitação é na parte correspondente ao vale de Alcântara, que tem 35 arcos, incluindo, entre estes, o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65 metros de altura e 28 metros de largura.

É possível, também, ocasionalmente, visitar o Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, o Reservatório da Patriarcal e troços do aqueduto geral na região de Belas e Caneças.


Para conhecer mais sobre esta história, verificar preços, horários e quais espaços podem ser visitados, clique aqui, para acesso ao site oficial.

Mais um destino inédito. Pegamos um transporte por aplicativo e fomos para o Parque de Monsanto, onde está localizado este Miradouro diferenciado. 

O edifício, de autoria do arquiteto Chaves Costa, foi concebido para ser um grande restaurante panorâmico, em formato circular, com um raio de 16 metros, cinco andares e uma vista panorâmica de 270 graus. Foi inaugurado em 1970. Havia serviços de apoio, uma esplanada-café, miradouro, salão de banquetes e várias instalações complementares. Com o passar do tempo e a falta de manutenção, fechou. Após um grande período de abandono foi convertido num Miradouro Municipal. 

Antigo Restaurante Panorâmico

No primeiro contato podemos estranhar o edifício, pois é um prédio abandonado, porém, com um olhar mais atento, percebemos vários grafites muito expressivos nas paredes e outras manifestações artísticas como o retrato da Vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018. É um local de expressão artística. Apesar do edifício aparentar estar em ruínas, ele é limpo e seguro. 

Marielle Franco

A vista da cidade é incrível e o caminho até lá muito agradável. Uma das vistas é o Aqueduto, descrito antes.

Vista do Aqueduto 

Antes de se deslocar até lá confira se está aberto, aliás, esta recomendação serve para todos os locais.


Achamos conveniente negociar com o motorista e ele nos esperou para nos levar ao destino seguinte - a Experiência Pilar 7.

Mais uma grata surpresa em Alcântara, em frente às Avenidas Índia e Brasília, ao Rio Tejo e à Doca de Santo Antônio.

É uma atração relativamente nova em Lisboa, foi inaugurada em setembro de 2017.

O Pilar 7 é um dos principais pilares da ponte, pois sua base recebe a amarração dos cabos da estrutura suspensa da margem norte do Rio Tejo. É o único pilar que constitui ponto de encontro da ponte metálica com o viaduto em concreto armado. 

Pilar 7

É uma experiência única da Ponte 25 de Abril - considerada uma das pontes mais bonitas do mundo. O percurso contempla espaços exteriores do Pilar da Ponte e do seu interior, descrevendo a história da construção, e termina no ponto alto da visita, literalmente. Pelo elevador atingimos o ponto máximo correspondente a 26 andares e 72 metros de altura, onde está o miradouro panorâmico, que possibilita uma visão fantástica da cidade e do Rio Tejo. O miradouro fica no mesmo nível da pista dos veículos.

Miradouro da Ponte 25 de Abril no Pilar 7

Ainda é possível comprar alguma coisa na lojinha e apreciar a grande maquete da ponte.



Saindo do Pilar 7, bem ao lado, tem um espaço chamado - Village Underground Lisboa. É um local destinado à arte e à cultura. Tem uma estrutura arquitetônica diferenciada, construída com dois autocarros (ónibus) e 14 contêineres convertidos em espaços multidisciplinares, onde reside uma comunidade artística. O espaço conta com restaurante, estúdio de gravação de som, lanchonetes e é palco de eventos de música, teatro, cinema e dança com foco na cultura de rua.

Village Underground Lisboa

Em frente ao Pilar 7 tem uma opção muito boa, não só de visual, mas de gastronomia, a Doca de Santo Amaro. São vários restaurantes de frente para as docas e para o Tejo.

Para fechar o dia com chave de ouro fomos jantar no restaurante italiano Bellalisa.


Só tenho elogios a fazer ao restaurante, massa saborosa, ambiente bem decorado, ótimo atendimento e preço compatível. As avaliações no Tripadivisor são muito boas. Vale a pena conhecer.

Está localizado na Avenida Visconde de Valmor em Saldanha. É bom ligar antes para reservar e conferir se está aberto.

Restaurante Bellalisa

Fim dos passeios do dia. Agora é descansar, pois o dia seguinte será o último desta viagem.


Lisboa - fevereiro de 2020 - final da viagem - 2º dia

Passamos por Lisboa no início e no final de nossa viagem. Chegamos no dia 30 de janeiro de 2020 bem cedo e fizemos um roteiro mais curto. No dia 31 fizemos mais alguns passeios e no dia seguinte pegamos a estrada para visitarmos algumas cidades de Portugal.

Retornamos a Lisboa no dia 14 de fevereiro à tardinha, e passeamos por lá até o dia 17. No dia 18 pela manhã, retornamos a Brasília.


Dia 15 de fevereiro

Um belo sábado de sol. Difícil escolher qual foi o melhor dia entre os muitos que passamos em Lisboa, nesta e em outras ocasiões. Seguramente, este dia foi um dos melhores. Vou descrevê-los na sequência do roteiro.

Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora

Localizados em uma região com muitos atrativos, a freguesia de São Vicente fica no Centro Histórico de Lisboa, entre Alfama e Graça. 
A Igreja de São Vicente já visitamos mais de uma vez, porém, não havíamos observado a entrada para o Mosteiro logo à sua direita. Quando estava escrevendo sobre a viagem de novembro de 2018descobri em minhas pesquisas, a existência do Mosteiro e me interessei muito pelo que li. Decidi que seria o primeiro lugar a ser visitado numa próxima viagem a Lisboa. Decisão acertada, o Mosteiro é muito interessante.

Entrada para o Mosteiro/Museu

Para consultar horários, preço e informações de visita guiada, clique aqui. Aos sábados acontece a Feira da Ladra, ao lado da Igreja. Achei interessante visitar o Mosteiro neste dia e aproveitar a tradicional feira.

O grande destaque deste Mosteiro são as riquíssimas coleções de azulejos que, combinados com a arquitetura e os objetos de arte, fazem deste espaço uma visita obrigatória. 

A Portaria era a entrada nobre do Mosteiro (foto abaixo), em estilo barroco do século XVIII. Aqui já se tem uma amostra do que vai encontrar lá dentro.

Portaria nobre do Mosteiro

Passando a Portaria tem um pequeno Museu de Arte Sacra.

Museu de Arte Sacra

No convento existem dois claustros, o nascente e o poente, que dão  aceso às dependências mais importantes do Convento. Nos claustros há 81 painéis de azulejos, 14.521 peças, que representam fábulas, paisagens, vistas marítimas, cenas da corte, de caça, pastoris e campestres. 


Claustro

Capela Meninos de Palhavã: Capela Tumular de D. Antônio e D. José, filhos legitimados de D. João V. Seu nome é uma referência ao Palácio de Palhavã, onde os filhos do Rei residiam; atualmente, o edifício abriga a Embaixada da Espanha.

Panteão dos Patriarcas: antiga Sala do Capítulo, atualmente uma simples Capela onde estão os túmulos dos Cardeais-Patriarcas de Lisboa desde D. Carlos da Cunha Meneses, falecido em 1825.

Panteão dos Patriarcas

Panteão da Casa de Bragança: antigo refeitório do Convento, onde hoje estão sepultados os restos mortais de muitos dos Reis, Príncipes e Infantes da quarta e última dinastia real portuguesa (encerrada com a Proclamação da Republica em 1910) - a Dinastia de Bragança, dentre os quais: D.João IV, que deu início à Dinastia e D. Manuel II, último  rei. No corredor de acesso estão os túmulos do Duque da Terceira e da Duquesa da Terceira, e do Duque de Saldanha.

Panteão da Casa de Bragança

Sacristia: local  belíssimo, com paredes revestidas de mármore e teto pintado a óleo sobre tela, colado sobre a madeira. Sobre a porta de entrada há um busto inserido num medalhão, representando D. João V. O mobiliário é composto por dois arcazes (arca grande com gavetões) de jacarandá do Brasil.

Sacristia

Fábulas de La FontaineJean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês do século XVII, considerado o pai da fábula moderna. Sua grande obra, “Fábulas”,  foi escrita em três partes, entre 1668 e 1694, seguindo o estilo do autor grego Esopo. Os contos, cujos personagens são geralmente animais, narram histórias sobre a vaidade, a avareza, o orgulho, a estupidez, a agressividade humanas com o objetivo de passar uma lição de moral. Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O Homem, A Cegonha e a Raposa, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, O Carvalho e o Caniço, a Raposa e a Uva.

Ao longo do século XVIII foram publicadas três edições de suas fábulas, sendo a primeira a mais famosa, e a escolhida para ter suas histórias retratadas em 38 paineis de azulejo, criados especialmente para o Mosteiro de São Vicente de Fora.

Fábula o Burro e o Cão

Capela de Santo Antônio: subindo a escada, no mesmo sentido dos painéis de La Fontaine, está a pequena Capela de Santo Antônio.


Foi construída em 1740 e era a cela de Santo Antônio (quarto de dormir) durante os anos em que foi Cônego regrante de Santo Agostinho.

Capela de Santo Antônio

Nesta Capela esteve uma lápide (atualmente no interior da igreja) com inscrição em caracteres góticos, referente à sepultura de Teresa Taveira, mãe de Santo Antônio.

Terraço: um ponto alto da visita ao Mosteiro, além do belíssimo interior, é o terraço, principalmente em dia de sol. Além de contar com mais alguns painéis de azulejos, tem-se uma bela vista da cidade e do Rio Tejo. Destacam-se também a vista do Panteão e dos claustros (observados de cima); e a possibilidade de apreciar de perto as torres, os sinos e todos os detalhes da arquitetura. 

Confira o terraço do Mosteiro de São Vicente de Fora no vídeo abaixo.


Terminado o passeio pelo Mosteiro, não poderíamos deixar de visitar, mais uma vez, a bela Igreja de São Vicente de Fora e a Feira da Ladra, ao lado da Igreja, que ocorre aos sábados. 

Igreja de São Vicente de Fora

Igreja de São Vicente de Fora


Feira da Ladra

Das outras vezes que visitamos Lisboa, ao sair da Igreja de São Vicente de Fora, percorremos toda a Feira da Ladra, passamos pelo Panteão e descemos a pé até a Sé, terminando a caminhada na Praça do Comércio. Desta vez, porém, tomamos o sentido oposto.


Nos surpreendemos com as ruas estreitas do Bairro Mouraria. O nome Mouraria deve-se ao fato de D. Afonso Henriques, após a conquista de Lisboa em 1137, ter definido uma zona da cidade para os muçulmanos viverem. Foi neste bairro que permaneceram os mouros após a Reconquista Cristã

Passamos pela Rua da Guia, Largo Severa, Rua Capelão, Rua da Mouraria e chegamos à Praça Martim Moniz. É um percurso histórico da região, que foi poupada pelo terremoto de 1755, e que sofreu poucas intervenções posteriormente. 

Para celebrar as grandes vozes do fado que nasceram, viveram ou tiveram a Mouraria presente em suas vidas foi instalada uma exposição com pinturas destes artistas ao longo das ruas.

Fadistas de Lisboa

Praça Martim Moniz

Chegando na Praça Martim Moniz, passamos ao lado da Capela da Nossa Senhora da Saúde (estava fechada) construída em 1505 e dedicada a São Sebastião, entretanto, em 1569, passou a ser dedicada à Nossa Senhora da Saúde.

Capela Nossa Senhora da Saúde

A Praça Martim Moniz tem seu nome em homenagem ao Fidalgo capitão do exército de Afonso Henriques. Ele teve grande importância na conquista de Lisboa em 1147 contra os Mouros.

É uma Praça grande e bem movimentada. Aproveitamos o horário e fizemos um lanche em uma das Padaria do Bairro de Lisboa (avaliação Tripadvisor) - esta fica na Rua da Palma - é uma rua conectada a Praça Martim Moniz.  Uma opção rápida, boa e com bom preço. 


Praça Martim Moniz

Praça Martim Moniz

Vista do Forte da Praça Martim Moniz

O percurso que fizemos da Igreja de São Vicente de Fora até a Praça Martim Moniz acabou sendo um bônus, nos surpreendeu positivamente. O objetivo inicial era na realidade apenas pegar o Elétrico 28 na praça, mas Portugal tem destas coisas, tudo nos surpreende.

Elétrico 28

É um dos cartões postais de Lisboa, não só pela história dos elétricos, mas pelo percurso que ele faz. Pegamos o bonde no ponto inicial, para irmos sentados até o ponto final no Cemitério dos Prazeres, em Campo de Ourique. Outra opção é pegar o Elétrico 28 saindo de Campo de Ourique, pois o movimento é menor que em Martim Moniz. 


Ponto final do Elétrico 28 em Campo de Ourique, em frente ao Cemitério dos Prazeres

O trajeto todo leva cerca de 45 minutos, passando por muitos pontos históricos da cidade (cerca de 36), como a Praça Luis de Camões, o bairro do Chiado, a Sé, Limoeiro, Miradouro de Santa Luzia, Graça. Uma dica: quando estiver na fila para pegar o Elétrico 28, calcule se será possível sentar-se quando chegar a sua vez. Caso contrário, ceda a sua vez ao próximo ou próximos da fila e aguarde o Elétrico seguinte para poder fazer o passeio sentado. Em cerca de 10  minutos chegará outro bonde e você poderá aproveitar o passeio de modo mais confortável.

Trajeto do Elétrico 28

Para quem não sabe, os transportes recebem diferentes nomes no Brasil e em Portugal. No Brasil, ônibus, em Portugal é autocarro. O metrô do Brasil é chamado de metro por lá. Trem no Brasil, comboio em Portugal. E o tão famoso bonde de Portugal, lá chama-se eléctrico.

Uma dica: vale a pena comprar o cartão de transporte, pois o ticket para o elétrico no cartão sai bem mais barato.

Campo de Ourique e Estrela

Descemos do Elétrico 28 no  ponto final em Campo de Ourique, em frente ao Cemitério dos Prazeres. Entramos e passamos rapidamente pela rua principal do cemitério, que é muito bonito. Dali para frente a intenção era andar a pé. Já tínhamos conhecido Campo de Ourique em uma viagem de 2018, e só para relembrar, vale a pena apreciar a Igreja do Santo Condestável e seu o florido jardim; o Mercado, que fica ao lado (se não tiver almoçado ou quiser fazer um lanche é uma ótima pedida); a Casa Museu de Fernando Pessoa e o Jardim Teófilo Braga  (Jardim da Parada).

Desta vez, o  objetivo era conhecer na região de mesmo nome, a Basílica da Estrela e o Jardim da Estrela, situados a uma pequena caminhada de Campo de Ourique.


Também conhecida como Real Basílica e Convento do Santíssimo Coração de Jesus. Está localizada bem em frente ao Jardim da Estrela, por onde passa o Elétrico 28.

Basílica da Estrela

O antigo Convento, ao lado (foto), era mantido pelas Carmelitas. Atualmente é ocupado pelo Exército e pela Escola de Música Sacra do Patriarcado.    

A Basílica foi construída por ordem da Rainha Dona Maria I em cumprimento da promessa de edificar uma igreja quando desse à luz ao herdeiro do trono. Ela está sepultada ali. 

A Basílica foi consagrada em 1789 e conta com uma arquitetura em estilo barroco final e neoclássico. É a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Seu interior é bem amplo, feito em mármore cinza, amarelo e rosa e possui oito altares. Nas paredes há várias pinturas de Pompeo Batoni; dois órgãos de 1789 e 1791, e um presépio formado por 500 figuras em terracota e cortiça, criado por Machado de Castro.

Basílica da Estrela

Lisboa é repleta de igrejas e visitar todas é uma tarefa quase impossível. Se for fazer uma lista de quais visitar, esta, com certeza, deverá constar. 

Basílica da Estrela

Registrando agora esta Basílica descobri que é possível subir ao terraço da igreja e apreciar a vista, além de circular a cúpula.  A visita é paga e é necessário subir um pouco mais de cem degraus. Foi uma pena não saber desta  possibilidade na ocasião, vou ter que voltar um dia.



Jardim público ao estilo dos jardins ingleses, situado bem em frente à Basílica da Estrela. Foi inaugurado em 1852, tendo sido posteriormente renomeado Jardim Guerra Junqueiro. Possui 4,6 hectares e se encontra aberto ao público todos os dias, das sete horas da manhã até a meia-noite.

Neste jardim tem um pequeno lago com patos e carpas, um café, belíssimos canteiros, árvores frondosas,  dois parques infantis e um jardim de infância da Santa Casa da Misericórdia. No centro do jardim, a Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza um quiosque da Biblioteca Municipal. 

Outro destaque do jardim é o coreto verde de ferro forjado, onde os músicos tocam nos meses de verão. Este coreto foi construído em 1884. Encontrava-se originalmente no Passeio Público antes da construção da Avenida da Liberdade, tendo sido transferido para o jardim em 1936.

Confira o Jardim da Estrela no vídeo abaixo.



Em seguida fomos conhecer a LxFactory e apreciar de lá o pôr do sol. Pegamos um transporte por aplicativo. Era bem perto, apenas a 3 km de distância.



Localizada em Alcântara, aos pés da Ponte 25 de Abril (o início da ponte passa sobre a área), está a LXFactory, um conjunto de lojas, restaurantes, galerias, livrarias, cafés, que funcionam em antigos galpões adaptados para atividades ligadas à arte, à cultura e à gastronomia.
A área era ocupada por fábricas de tecidos e gráficas no século XIX e foi revitalizada na última década para ser um espaço multiuso com agenda cultural diversa e sempre animada.
Atualmente é um dos locais mais descolados de Lisboa.

Confira a LxFactory no vídeo abaixo.


Lá é possível comer em um dos diversos bares e restaurantes, comprar livros e até discos de vinil; comprar presentes vintage e apreciar o pôr do sol no rooftop do Rio Maravilha, onde estava a estátua "Crista Rainha". Verifiquei que o local fechou durante a pandemia, espero que um dia o espaço seja reaberto.

"Crista Rainha" no rooftop do Rio Maravilha - LxFactory

Foi um dia bem intenso, andamos muito e conhecemos lugares novos. O melhor agora é voltar para casa e nos prepararmos para o segundo dia.