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Lisboa - fevereiro de 2020 - final da viagem - 2º dia

Passamos por Lisboa no início e no final de nossa viagem. Chegamos no dia 30 de janeiro de 2020 bem cedo e fizemos um roteiro mais curto. No dia 31 fizemos mais alguns passeios e no dia seguinte pegamos a estrada para visitarmos algumas cidades de Portugal.

Retornamos a Lisboa no dia 14 de fevereiro à tardinha, e passeamos por lá até o dia 17. No dia 18 pela manhã, retornamos a Brasília.


Dia 15 de fevereiro

Um belo sábado de sol. Difícil escolher qual foi o melhor dia entre os muitos que passamos em Lisboa, nesta e em outras ocasiões. Seguramente, este dia foi um dos melhores. Vou descrevê-los na sequência do roteiro.

Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora

Localizados em uma região com muitos atrativos, a freguesia de São Vicente fica no Centro Histórico de Lisboa, entre Alfama e Graça. 
A Igreja de São Vicente já visitamos mais de uma vez, porém, não havíamos observado a entrada para o Mosteiro logo à sua direita. Quando estava escrevendo sobre a viagem de novembro de 2018descobri em minhas pesquisas, a existência do Mosteiro e me interessei muito pelo que li. Decidi que seria o primeiro lugar a ser visitado numa próxima viagem a Lisboa. Decisão acertada, o Mosteiro é muito interessante.

Entrada para o Mosteiro/Museu

Para consultar horários, preço e informações de visita guiada, clique aqui. Aos sábados acontece a Feira da Ladra, ao lado da Igreja. Achei interessante visitar o Mosteiro neste dia e aproveitar a tradicional feira.

O grande destaque deste Mosteiro são as riquíssimas coleções de azulejos que, combinados com a arquitetura e os objetos de arte, fazem deste espaço uma visita obrigatória. 

A Portaria era a entrada nobre do Mosteiro (foto abaixo), em estilo barroco do século XVIII. Aqui já se tem uma amostra do que vai encontrar lá dentro.

Portaria nobre do Mosteiro

Passando a Portaria tem um pequeno Museu de Arte Sacra.

Museu de Arte Sacra

No convento existem dois claustros, o nascente e o poente, que dão  aceso às dependências mais importantes do Convento. Nos claustros há 81 painéis de azulejos, 14.521 peças, que representam fábulas, paisagens, vistas marítimas, cenas da corte, de caça, pastoris e campestres. 


Claustro

Capela Meninos de Palhavã: Capela Tumular de D. Antônio e D. José, filhos legitimados de D. João V. Seu nome é uma referência ao Palácio de Palhavã, onde os filhos do Rei residiam; atualmente, o edifício abriga a Embaixada da Espanha.

Panteão dos Patriarcas: antiga Sala do Capítulo, atualmente uma simples Capela onde estão os túmulos dos Cardeais-Patriarcas de Lisboa desde D. Carlos da Cunha Meneses, falecido em 1825.

Panteão dos Patriarcas

Panteão da Casa de Bragança: antigo refeitório do Convento, onde hoje estão sepultados os restos mortais de muitos dos Reis, Príncipes e Infantes da quarta e última dinastia real portuguesa (encerrada com a Proclamação da Republica em 1910) - a Dinastia de Bragança, dentre os quais: D.João IV, que deu início à Dinastia e D. Manuel II, último  rei. No corredor de acesso estão os túmulos do Duque da Terceira e da Duquesa da Terceira, e do Duque de Saldanha.

Panteão da Casa de Bragança

Sacristia: local  belíssimo, com paredes revestidas de mármore e teto pintado a óleo sobre tela, colado sobre a madeira. Sobre a porta de entrada há um busto inserido num medalhão, representando D. João V. O mobiliário é composto por dois arcazes (arca grande com gavetões) de jacarandá do Brasil.

Sacristia

Fábulas de La FontaineJean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês do século XVII, considerado o pai da fábula moderna. Sua grande obra, “Fábulas”,  foi escrita em três partes, entre 1668 e 1694, seguindo o estilo do autor grego Esopo. Os contos, cujos personagens são geralmente animais, narram histórias sobre a vaidade, a avareza, o orgulho, a estupidez, a agressividade humanas com o objetivo de passar uma lição de moral. Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O Homem, A Cegonha e a Raposa, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, O Carvalho e o Caniço, a Raposa e a Uva.

Ao longo do século XVIII foram publicadas três edições de suas fábulas, sendo a primeira a mais famosa, e a escolhida para ter suas histórias retratadas em 38 paineis de azulejo, criados especialmente para o Mosteiro de São Vicente de Fora.

Fábula o Burro e o Cão

Capela de Santo Antônio: subindo a escada, no mesmo sentido dos painéis de La Fontaine, está a pequena Capela de Santo Antônio.


Foi construída em 1740 e era a cela de Santo Antônio (quarto de dormir) durante os anos em que foi Cônego regrante de Santo Agostinho.

Capela de Santo Antônio

Nesta Capela esteve uma lápide (atualmente no interior da igreja) com inscrição em caracteres góticos, referente à sepultura de Teresa Taveira, mãe de Santo Antônio.

Terraço: um ponto alto da visita ao Mosteiro, além do belíssimo interior, é o terraço, principalmente em dia de sol. Além de contar com mais alguns painéis de azulejos, tem-se uma bela vista da cidade e do Rio Tejo. Destacam-se também a vista do Panteão e dos claustros (observados de cima); e a possibilidade de apreciar de perto as torres, os sinos e todos os detalhes da arquitetura. 

Confira o terraço do Mosteiro de São Vicente de Fora no vídeo abaixo.


Terminado o passeio pelo Mosteiro, não poderíamos deixar de visitar, mais uma vez, a bela Igreja de São Vicente de Fora e a Feira da Ladra, ao lado da Igreja, que ocorre aos sábados. 

Igreja de São Vicente de Fora

Igreja de São Vicente de Fora


Feira da Ladra

Das outras vezes que visitamos Lisboa, ao sair da Igreja de São Vicente de Fora, percorremos toda a Feira da Ladra, passamos pelo Panteão e descemos a pé até a Sé, terminando a caminhada na Praça do Comércio. Desta vez, porém, tomamos o sentido oposto.


Nos surpreendemos com as ruas estreitas do Bairro Mouraria. O nome Mouraria deve-se ao fato de D. Afonso Henriques, após a conquista de Lisboa em 1137, ter definido uma zona da cidade para os muçulmanos viverem. Foi neste bairro que permaneceram os mouros após a Reconquista Cristã

Passamos pela Rua da Guia, Largo Severa, Rua Capelão, Rua da Mouraria e chegamos à Praça Martim Moniz. É um percurso histórico da região, que foi poupada pelo terremoto de 1755, e que sofreu poucas intervenções posteriormente. 

Para celebrar as grandes vozes do fado que nasceram, viveram ou tiveram a Mouraria presente em suas vidas foi instalada uma exposição com pinturas destes artistas ao longo das ruas.

Fadistas de Lisboa

Praça Martim Moniz

Chegando na Praça Martim Moniz, passamos ao lado da Capela da Nossa Senhora da Saúde (estava fechada) construída em 1505 e dedicada a São Sebastião, entretanto, em 1569, passou a ser dedicada à Nossa Senhora da Saúde.

Capela Nossa Senhora da Saúde

A Praça Martim Moniz tem seu nome em homenagem ao Fidalgo capitão do exército de Afonso Henriques. Ele teve grande importância na conquista de Lisboa em 1147 contra os Mouros.

É uma Praça grande e bem movimentada. Aproveitamos o horário e fizemos um lanche em uma das Padaria do Bairro de Lisboa (avaliação Tripadvisor) - esta fica na Rua da Palma - é uma rua conectada a Praça Martim Moniz.  Uma opção rápida, boa e com bom preço. 


Praça Martim Moniz

Praça Martim Moniz

Vista do Forte da Praça Martim Moniz

O percurso que fizemos da Igreja de São Vicente de Fora até a Praça Martim Moniz acabou sendo um bônus, nos surpreendeu positivamente. O objetivo inicial era na realidade apenas pegar o Elétrico 28 na praça, mas Portugal tem destas coisas, tudo nos surpreende.

Elétrico 28

É um dos cartões postais de Lisboa, não só pela história dos elétricos, mas pelo percurso que ele faz. Pegamos o bonde no ponto inicial, para irmos sentados até o ponto final no Cemitério dos Prazeres, em Campo de Ourique. Outra opção é pegar o Elétrico 28 saindo de Campo de Ourique, pois o movimento é menor que em Martim Moniz. 


Ponto final do Elétrico 28 em Campo de Ourique, em frente ao Cemitério dos Prazeres

O trajeto todo leva cerca de 45 minutos, passando por muitos pontos históricos da cidade (cerca de 36), como a Praça Luis de Camões, o bairro do Chiado, a Sé, Limoeiro, Miradouro de Santa Luzia, Graça. Uma dica: quando estiver na fila para pegar o Elétrico 28, calcule se será possível sentar-se quando chegar a sua vez. Caso contrário, ceda a sua vez ao próximo ou próximos da fila e aguarde o Elétrico seguinte para poder fazer o passeio sentado. Em cerca de 10  minutos chegará outro bonde e você poderá aproveitar o passeio de modo mais confortável.

Trajeto do Elétrico 28

Para quem não sabe, os transportes recebem diferentes nomes no Brasil e em Portugal. No Brasil, ônibus, em Portugal é autocarro. O metrô do Brasil é chamado de metro por lá. Trem no Brasil, comboio em Portugal. E o tão famoso bonde de Portugal, lá chama-se eléctrico.

Uma dica: vale a pena comprar o cartão de transporte, pois o ticket para o elétrico no cartão sai bem mais barato.

Campo de Ourique e Estrela

Descemos do Elétrico 28 no  ponto final em Campo de Ourique, em frente ao Cemitério dos Prazeres. Entramos e passamos rapidamente pela rua principal do cemitério, que é muito bonito. Dali para frente a intenção era andar a pé. Já tínhamos conhecido Campo de Ourique em uma viagem de 2018, e só para relembrar, vale a pena apreciar a Igreja do Santo Condestável e seu o florido jardim; o Mercado, que fica ao lado (se não tiver almoçado ou quiser fazer um lanche é uma ótima pedida); a Casa Museu de Fernando Pessoa e o Jardim Teófilo Braga  (Jardim da Parada).

Desta vez, o  objetivo era conhecer na região de mesmo nome, a Basílica da Estrela e o Jardim da Estrela, situados a uma pequena caminhada de Campo de Ourique.


Também conhecida como Real Basílica e Convento do Santíssimo Coração de Jesus. Está localizada bem em frente ao Jardim da Estrela, por onde passa o Elétrico 28.

Basílica da Estrela

O antigo Convento, ao lado (foto), era mantido pelas Carmelitas. Atualmente é ocupado pelo Exército e pela Escola de Música Sacra do Patriarcado.    

A Basílica foi construída por ordem da Rainha Dona Maria I em cumprimento da promessa de edificar uma igreja quando desse à luz ao herdeiro do trono. Ela está sepultada ali. 

A Basílica foi consagrada em 1789 e conta com uma arquitetura em estilo barroco final e neoclássico. É a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Seu interior é bem amplo, feito em mármore cinza, amarelo e rosa e possui oito altares. Nas paredes há várias pinturas de Pompeo Batoni; dois órgãos de 1789 e 1791, e um presépio formado por 500 figuras em terracota e cortiça, criado por Machado de Castro.

Basílica da Estrela

Lisboa é repleta de igrejas e visitar todas é uma tarefa quase impossível. Se for fazer uma lista de quais visitar, esta, com certeza, deverá constar. 

Basílica da Estrela

Registrando agora esta Basílica descobri que é possível subir ao terraço da igreja e apreciar a vista, além de circular a cúpula.  A visita é paga e é necessário subir um pouco mais de cem degraus. Foi uma pena não saber desta  possibilidade na ocasião, vou ter que voltar um dia.



Jardim público ao estilo dos jardins ingleses, situado bem em frente à Basílica da Estrela. Foi inaugurado em 1852, tendo sido posteriormente renomeado Jardim Guerra Junqueiro. Possui 4,6 hectares e se encontra aberto ao público todos os dias, das sete horas da manhã até a meia-noite.

Neste jardim tem um pequeno lago com patos e carpas, um café, belíssimos canteiros, árvores frondosas,  dois parques infantis e um jardim de infância da Santa Casa da Misericórdia. No centro do jardim, a Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza um quiosque da Biblioteca Municipal. 

Outro destaque do jardim é o coreto verde de ferro forjado, onde os músicos tocam nos meses de verão. Este coreto foi construído em 1884. Encontrava-se originalmente no Passeio Público antes da construção da Avenida da Liberdade, tendo sido transferido para o jardim em 1936.

Confira o Jardim da Estrela no vídeo abaixo.



Em seguida fomos conhecer a LxFactory e apreciar de lá o pôr do sol. Pegamos um transporte por aplicativo. Era bem perto, apenas a 3 km de distância.



Localizada em Alcântara, aos pés da Ponte 25 de Abril (o início da ponte passa sobre a área), está a LXFactory, um conjunto de lojas, restaurantes, galerias, livrarias, cafés, que funcionam em antigos galpões adaptados para atividades ligadas à arte, à cultura e à gastronomia.
A área era ocupada por fábricas de tecidos e gráficas no século XIX e foi revitalizada na última década para ser um espaço multiuso com agenda cultural diversa e sempre animada.
Atualmente é um dos locais mais descolados de Lisboa.

Confira a LxFactory no vídeo abaixo.


Lá é possível comer em um dos diversos bares e restaurantes, comprar livros e até discos de vinil; comprar presentes vintage e apreciar o pôr do sol no rooftop do Rio Maravilha, onde estava a estátua "Crista Rainha". Verifiquei que o local fechou durante a pandemia, espero que um dia o espaço seja reaberto.

"Crista Rainha" no rooftop do Rio Maravilha - LxFactory

Foi um dia bem intenso, andamos muito e conhecemos lugares novos. O melhor agora é voltar para casa e nos prepararmos para o segundo dia.

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